FLOR E CRONÓPIO
Um cronópio encontra uma flor solitária no meio do campo. Vai para arrancá-la,
mas pensa que é uma crueldade inútil
e põe-se de joelhos, brinca alegremente com a flor, desta maneira: acaricia-lhe as pétalas, sopra-a, zumbe como uma abelha e dança, cheira-lhe o perfume e finalmente deita-se debaixo dela e dorme envolto numa grande alegria.
A flor pensa: «Parece uma flor.»
Julio Cortázar (1999), «Histórias de Cronópios e de Famas», Histórias de Cronópios e de Famas, Lisboa: Editorial Estampa, p. 136. Trad. Alfacinha da Silva.